Parabéns ao melhor!

Nunca o vi jogar. Quem perdeu fui eu, dizem-me. Mas sei sobre ele o que me disseram e o que li nas muitas homenagens e elogios que lhe foram feitos ao longo dos anos. Assim como sobre a sua etapa enquanto treinador muitos já escreveram, elogiaram, comentaram.

Eu... eu tinha 11 anos quando o conheci. Sabia quem era, desde sempre tinha ouvido falar sobre aquele fenómeno dos rinques e das transmissões radiofónicas. E a sua chegada à Aldeia foi um dos momentos mais importantes, pela sua competência e pela expectativa que criou, e depois confirmou.

Recordo apenas algumas das suas conquistas quando, já depois de o ter conhecido, como Seleccionador Nacional conquistou os Europeus 1992 e 1994 ou o Mundial de 1993 em Itália que me fez gritar, roer as peles dos dedos até chegar à unha e pular, de alegria.

Recordo também as suas conquistas ao serviço do HC Turquel. Vivem na minha memória, entre muitos outros, momentos como aquela meia-final da Taça de Portugal ganha ao FC Porto nas penalidades, ou aquele mítico jogo com o Viareggio, ou o , o  e o 4º lugar no campeonato da 1ª divisão, os melhores de sempre da Aldeia!

Obra dele. Conquistas com a sua assinatura.

Mas as memórias mais presentes são outras, são as do homem.

São as memórias dos jogos de ping-pong ao sábado de manhã durante a concentração ou durante a semana antes dos treinos - nunca joguei tanto ping-pong na vida! Ou as do porta-chaves com uma bola de snooker que usava para dar "carolos" na testa dos miúdos enquanto brincava com eles e trocava dois dedos de conversa. 

É a memória do homem, aquele que apareceu no hospital para apoiar uma das minhas pessoas, só porque é isso que os amigos fazem!

Foi o melhor de sempre em rinque, foi um dos melhores no banco a orientar quem estava em rinque, mas para mim foi, sobretudo, alguém que me marcou pela paciência, pela brincadeira e pelos gestos.

Alguém que recordo sempre com um sorriso e ao som dos aplausos intermináveis que o acompanharam no último momento!


Faria hoje 73 anos. 
Parabéns "Livras"!

"Ninguém gosta de hóquei em patins" dizem eles,
"Gosto eu", respondo com o orgulho de quem faz parte da modalidade.

[Texto originalmente publicado aqui, em 2013]

Regaleira | Um lugar de mil estórias

Levei comigo a expectativa de uma referência na Serra de Sintra e descobri um lugar de encantar.
Recantos para viajar nas palavras de um livro, entradas secretas e caminhos labirínticos para viver aventuras, escadas para subir aos céus, jardins e cor para alimentar a vida.

Levem imaginação. Levem muita imaginação. Será mágico.

A Quinta da Regaleira constitui um dos mais surpreendentes monumentos da Serra de Sintra. Situada no termo do centro histórico da Vila, foi construída entre 1904 e 1910, no derradeiro período da monarquia.
...
Aqui se fundem o Céu e a Terra numa realidade sensível, a mesma que presidiu à teoria do Belo, da Arquitectura e da Música, que a concha acústica do Terraço dos Mundos Celestes permite propagar pelo infinito.

in Quinta da Regaleira

Radical

Há pouco mais de um mês, li o livro Radical, de Maajid Nawaz, e o que sabia era apenas que relatava a vida de um inglês, muçulmano, que aderiu ao islamismo, foi preso e passou a ser uma voz contra o islamismo.

As minhas expectativas eram as de conhecer o percurso de alguém que esteve no centro do terror e mudou de opinião. Comecei a ler o livro com vários preconceitos construídos sobre a forma como a educação leva alguém a tal extremismo, sobre a forma como a sociedade é tolerante para as diferenças, sobre as virtudes dos valores da Europa, sobre o que é o Islão, o islamismo, o jihadismo, como se tocam e como se ligam.   

E logo nas primeiras páginas, encontrei isto sobre o livro ersículos Satânicos, de Salman Rushdie (1988), que valeu ao seu autor uma fatwa do aiatola Khomeini

Fiel ao seu espírito muito independente, Abi comprou o livro e leu-o para formar a sua opinião.
Na época, a minha convicção de que ela estava perigosamente do lado errado não precisou de mais confirmação. A reação de Abi foi classicamente liberal:
- Deixa-o escrever o seu livro. Se não gostares, escreve um contra ele. - Isto é Abi, sem tirar nem pôr.

Abi, é a mãe de Maajid. 

E assim começaram a cair por terra ideias pré-concebidas. Para logo depois começar a clarificar conceitos

Enquanto no Islão as disputas se centram na abordagem das pessoas à religião, o islamismo procura lidar com a abordagem das pessoas à sociedade.
(...)
Muito mais tarde, o islamismo influenciaria também os fundamentalistas religiosos. Isto deu origem a uma corrente militante (...). Logo, o jihadismo é a fusão da religião literalista com a política islamita.
(...)
Isto é crucial para se compreender o islamismo: não é um movimento religioso com consequências políticas, é um movimento político com consequências religiosas.

O que li foi a história de uma criança que se fez jovem numa família inglesa, de religião muçulmana, com uma educação liberal, numa sociedade que recebe mas não acolhe, não integra. Alguém que escolheu abandonar a família que o criou para aderir ao islamismo.

A história de um homem que se fez adulto com o islamismo, e que depois de se fazer velho na luta decidiu abandonar o islamismo e a nova família que construiu, para voltar à família que o criou e aderir ao Islão.

A história de um homem que foi extremista, na prática do islamismo, e hoje alerta o mundo para os perigos do extremismo, enquanto pratica o Islão.

Se não tiverem o que fazer, leiam. O pior que vos pode acontecer é ficar com um pouco mais de informação para construírem a vossa opinião.

#78

Há uma voz doce que me chama, um sorriso que me recebe sempre (mesmo depois dos breves segundos de um escapadela ao quintal) e o cheiro ao melhor pão do mundo (quente, com manteiga e açúcar).

Há saudades que fazem parte de mim.

Parabéns! 

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[e há (muita) ironia em tudo isto. Na doença que teima em lhe roubar as memórias e as saudades, enquanto, em cada um de nós, são as memórias que alimentam a saudade.]

http://alzheimerportugal.org/pt/

A minha selecção

A minha selecção

No hóquei em patins as conquistas são comentadas pelos que não gostam dele com um "não fizeram mais do que a sua obrigação" e os falhanços com um "já nem o hóquei".

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