Angola

o facebook chama-lhe inferno

ao local de onde escrevo os meus posts.

só consigo ver dois motivos para tal identificação:

  • a quantidade de bicharada que por aqui mora - escorpiões (visitas regulares nos alpendres), baratas de 6cm, cobras (ainda não as vi, mas há quem jure ter visto várias), e outros mais que não faço ideia do que são mas quase que são bonitos;
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  • e as cores que a terra assume e o verde que se mistura com os dourados, quando o céu se transforma depois de molhar a terra e o sol perde a vergonha e passa por cá para dizer até amanhã.
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eu chamo-lhe oportunidade. de repetir motivos de outra perspectiva. de procurar a cada dia diferentes motivos. de usar diferentes recursos para o mesmo. 

the look in your eyes

the look in your eyes

entre expressões, medos, alegrias, foram os olhares que mais me marcaram neste dia. os olhares que ficaram registados nas fotografias, mas sobretudo em que lá esteve e cruzou os olhos dos miúdos. olhares tristes, vazios, perdidos. mas também aqueles cheios de vida, de alegria, de esperança numa vida que agora começa.

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matar um pouco das saudades de casa, a ver hp

é do conhecimento geral que o hóquei faz parte da minha vida. depois de acabado o campeonato do mundo, Angola voltou à normalidade e o hóquei em patins não faz parte dela tem muito pouca expressão por cá, especialmente as competições nacionais. ainda assim, e à falta do meu hóquei e dos meus miúdos, o convite do AG para ir ver o D'Agosto fez com que pudesse manter um pouquinho desse vicio / escape, mesmo deste lado do hemisfério.

para quem não sabe, o campeonato em Angola disputa-se de forma concentrada no tempo, num mesmo pavilhão com as jornadas a serem diárias e a começarem a meio da tarde. os 4 primeiros classificados da 1ª fase viajaram depois para o Lobito onde disputam o título em regime de meias-finais (à melhor de três), assim como a disputa do 3º e 4º lugar, e final (à melhor de 5).

acompanhei 3 jogos do D'Agosto no Campeonato Nacional de Angola, ou seja, todos os que se realizaram após o horário de trabalho, e em Luanda (os restantes ou foram durante a tarde ou já no Lobito) e fotografei-os todos.

2013-11-21_0006

sempre vai dando para matar um pouco das saudades de casa.

(Aqui estão as fotografias do Campeonato Angolano de Hóquei em Patins)

a Ana Paula descobre o mundo nas costas da mãe

são 12:30 e o sol vai alto e quente, espalhando os 30º sobre os corpos na areia e no mar.

praia do lookal

mas enquanto uns, nós, aproveitamos para esquecer as saudades e recuperar do trabalho, outros aproveitam para fazer os trocados que lhes alimentam a vida. a Ana Paula aguenta nas costas da mãe um sol que queima, atenta ao mundo e às caras estranhas com que se cruza enquanto a mãe queima os pés na areia para vender ginguba torrada aos paladares de quem por aqui esquece as saudades e a sorte que tem na vida.

a ana paula às costas da mãe

e na despedida esboça um sorriso. um sorriso contagiante de quem gosta de andar a descobrir o mundo. sorrimos as duas.

sangano

a pouco mais de 100km de Luanda, 2h de viagem na ida, até 4h no regresso (sim, leram bem, 4 horas!) estão duas das praias mais concorridas para fins-de-semana ou apenas um dia de praia (entenda-se: sair de casa às 7:30 para chegar cedo e sair da praia às 15h/16h para tentar demorar menos de 4h no regresso). foi nesta praia que encontrei a menina das brincadeiras simples, há pouco mais de um mês. e é também nesta praia que elas e eles aparecem de balde ou alguidar na mão, com quitetas, com peixe, com tudo o que o mar lhes oferece para venderem aos muitos potenciais clientes que a visitam ao fim-de-semana.

desta vez o regresso não foi no sábado. no sábado foi dia de observar o sol a dourar o mar, ao mesmo tempo que nos torna mais iguais entre todos, porque as sombras não mostram diferenças e na forma pouco nos diferencia entre nós.

no sábado foi dia de ficar a ver o sol cair e encontrar o mar. a noite a tomar conta da areia, do oceano, de nós.

e no domingo, bem cedo, antes das pessoas da cidade invadirem o espaço, foi tempo de aproveitar o que de bom (ainda) existe em estar a 100km da cidade: a paz, os sons, os cheiros.

o tempo que passa devagar e à nossa mercê.