Savuti #4

Savuti #4

5 horas depois, voltámos a cruzar os portões do lodge com um pedido no ar ao Metal: queríamos ver leões, machos, bem mais perto do que tínhamos visto no dia anterior e nessa manhã. o Metal sorriu ao nosso pedido e limitou-se a um "vamos lá ver o que a Natureza tem para nos oferecer hoje".

e começou por nos oferecer antílopes. sim, mais do mesmo pensámos. mas os factos são esclarecedores: o raio dos bichos ficam sempre muito bem nas fotografias, talvez seja da cor.

a beleza dos antílopes e das girafas contrastou, e de que maneira, com o ar feio dos warthogs (para mim dos mais feios, até que descobri que fazem parte dos Ugly Five e não era a única a não gostar do aspecto deles). até os habituais elefantes reapareceram para nos cumprimentar durante a tarde.

vimos ainda um pássaro que parecia estar à nossa espera para a fotografia (e só por isso merece um obrigada, a melhor foto de pássaros é a dele) e uma african fish eagle, a terceira da viagem, a primeira que valeu a pena fotografar (mal eu sabia o que me esperava no Chobe).

mas confesso que os momentos altos da tarde foram, mais uma vez, os felinos. os nossos pedidos, em especial os da D. (uma professora universitária americana que nos arrancava gargalhadas a cada 5m), revelaram-se todos realidades.

ao cruzarmos uma estrada, uma mulher parou o carro e disse-nos "o leão está aqui atrás de uma árvore grande, já aqui", o Metal arrancou à procura do leão (o mesmo que viramos de manhã dizia ele) atrás de uma árvore grande. 15m depois, nada e ele resolveu voltar para trás e não se cingir à "árvore grande". encontrá-mo-lo atrás de um arbusto, bem pertinho (como podem ver pela foto à esquerda).

alternava entre dormir e abrir os olhos, para espreitar o que se passava e controlar os invasores.

15m depois, pedimos ao Metal para por o carro a trabalhar na esperança que ele se mexesse. o Metal ligou o jipe, chegou-o uns metros à frente e o melhor que consegui foi isto... um olhar bem directo nos olhos dele e nem um arrepio de medo (por agora).

bem, passaram outros 15m e o bicho nem tremia, só mexia o corpo ao ritmo da respiração que o mantém vivo. mais uma vez, o nosso amigo da BBC contactou pelo rádio para informar que a leoa andava a caçar. decidimos ir espreitar.

a desilusão estava por chegar. a distância era tal que nem com 300mm de zoom era possível ver claramente o que se passava (à esquerda, a branco, a leoa. à direita, a amarelo, o jipe do repórter da BBC, em "perseguição", e fiquei a perceber como conseguem aquelas imagens fabulosas).

desistimos. decidimos voltar ao leão, eram quase 18h, começava a sentir-se uma brisa e ele, calculámos nós, iria mexer-se entretanto. azar o nosso, já não o encontrámos no mesmo sítio. o Metal resolveu procurá-lo no meio de arbustos e eu sentia os arbustos a tocar-me (sentada atrás do Metal, do lado direito do carro - aqui conduz-se ao contrário) enquanto ele espreitava. foi nesse momento que tive medo e contive a respiração. fiquei congelada. se ele, o leão, estivesse ali no meio e resolvesse aparecer de repente... bem, não estaria a contar-vos esta história.

felizmente não estava. procurou refúgio junto ao canal e foi junto à água que ficou para outra sesta, não sem antes deixar-se fotografar quase de frente, ainda que bastante longe.

faltou dizer-vos que mais uma vez não tivemos tempo para a pausa da tarde, e acabámos a beber as nossas bebidas, enquanto observávamos um felino a dormir confiante no espaço e nos outros (recordo-me que li algures uma das minhas amigas apaixonadas por gatos dizer que quando um gato dorme assim, está confortável, confiante e a pedir festinhas na barriga - nem tentei, mas que apetece, apetece).

balanço final do dia do leão: entre o momento em que o vimos pela primeira vez, às 8h da manhã, e a última vez, às 18h, andou no máximo 500m e sempre para trocar de sombra e continuar a dormir.

seguimos em direcção ao lodge. pelo caminho despedimo-nos do por-do-sol já com nostalgia. estava a chegar ao fim a nossa passagem pelo savuti.

Savuti #5 - So long

Savuti #5 - So long

a Declaração Universal dos Direitos do Homem

a Declaração Universal dos Direitos do Homem