nós festejamos títulos!

depois do mundial de Angola, esta nova oportunidade de fotografar a selecção portuguesa (sub-23) não podia ser ignorada: além de ser em Portugal, estava lá um dos miúdos d'Aldeia!

Luanda - Madrid - Lisboa - Turquel - Viana do Castelo.

uma maratona de viagens, fechar temas de trabalho, preparar o material, arranjar hotel. tudo em contra relógio para estar em Viana na 5ª feira às 18:30h e acompanhar os Ursos mais novos na Taça Latina 2014.

enquanto arrumava o material para fotografar, apenas um pensamento: desta vez quero fotografar a festa!

e dentro de rinque, eles cumpriram o que lhes era pedido: a festa do golos, a festa das defesas, a festa das vitórias e, no final, a festa da conquista.

e enquanto eles festejavam e eu os fotografava, veio-me à memória uma conversa com um responsável de um jornal desportivo nacional que, no final do Portugal x Chile em Angola - após Portugal conquistar o 3º lugar-, me pediu "fotos da festa da selecção". naquele momento, olhei para o mail e tive vontade de lhe perguntar se ele sabia o que era hóquei em patins.

mas... respirei fundo primeiro, o que ajudou ligeiramente a uma resposta menos "bruta-dos-queixos", mas não a evitou totalmente. e depois respondi: "isto não é futebol, isto é hóquei em patins. nós não festejamos 3ºs lugares, nós festejamos títulos!"

e festejámos vários em menos de um ano: a 13ª Taça Latina, a juntar ao Europeu de sub-17 e ao Mundial de sub-20 conquistados em 2013.

parabéns a todos. e obrigada pelas memórias, pelos sorrisos, pelas alegrias e pela conquista que me permitiram registar.

isto:

"Ninguém gosta de hóquei em patins..." dizem eles,

"Gosto eu", respondo com o orgulho de quem faz parte da modalidade.

todos os registos fotográficos podem ser vistos aqui: Taça Latina 2014.

post originalmente publicado n'O Meu Mundo da Bola

o facebook chama-lhe inferno

ao local de onde escrevo os meus posts.

só consigo ver dois motivos para tal identificação:

  • a quantidade de bicharada que por aqui mora - escorpiões (visitas regulares nos alpendres), baratas de 6cm, cobras (ainda não as vi, mas há quem jure ter visto várias), e outros mais que não faço ideia do que são mas quase que são bonitos;
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  • e as cores que a terra assume e o verde que se mistura com os dourados, quando o céu se transforma depois de molhar a terra e o sol perde a vergonha e passa por cá para dizer até amanhã.
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eu chamo-lhe oportunidade. de repetir motivos de outra perspectiva. de procurar a cada dia diferentes motivos. de usar diferentes recursos para o mesmo. 

parabéns avó!

estar deste lado do mundo tem destas coisas, perdemos as datas importantes das pessoas que gostamos. o nosso dia fica um bocadinho menos feliz e o delas também, porque nos fazem falta e fazemos falta.

a minha avó M. faz 79 anos. e este ano eu não posso tocar-lhe, não posso dizer-lhe que gosto dela, não posso dizer-lhe "parabéns" a olhar para ela e a sorrir - e vê-la responder-me a sorrir, com a certeza de que o sorriso dela fará o meu dia melhor (não, aqui nem uma chamada de vídeo consigo).

eu já sabia que este ano era assim. e, antes de partir, dei-lhe a mão, guardei os sentires, a voz e o toque dela comigo e "roubei-lhe" uma foto para a poder tocar hoje.

parabéns avó.

ver o sol desaparecer

sábado, 30 de novembro, as férias estavam a acabar mas antes, numa última tentativa de construir memórias da natureza de áfrica, um Sundowner Cruise no rio Zambezi.

a luz do sol cruza-se com sombras. as cores ganham mais vida, enquanto esperamos que o sol diga até amanhã.

mas antes do sol se esconder, assistimos a mais alguns episódios com animais, nenhum deles novidade. hipopótamos, pássaros e elefantes. os elefantes viajam ao longo do dia entre a Zâmbia e o Zimbabwe, afinal para eles isso das fronteiras é uma coisa que não existe. e foram os elefantes que nos mostraram um episódio curioso, a forma como sobem e descem degraus.

lá apareceu o momento em que se escondeu o sol. os laranjas. os laranjas de áfrica.

quando a chuva vem da terra

não há muito a dizer. as Victoria Falls são as maiores quedas de água do mundo e, ficámos a saber, a maioria delas até são na Zâmbia pelo que a melhor vista é do Zimbabwe. e foi do Zimbabwe que as vimos. (a desvantagem é que não pudemos ir à Devil's Pool dar um mergulho, porque fica do lado da Zâmbia)

primeiro do céu, de helicóptero.

depois em terra, a partir do parque e da floresta tropical que envolve as quedas de água. literalmente, chovia a partir da terra.

a paisagem, o cheiro, a humidade, a "chuva", o som. é tudo de uma "brutalidade" tal, que nos tira a respiração. e isto foi numa altura em que as chuvas ainda estavam a começar, agora conseguem imaginar no pico das chuvas, em Janeiro, a força desta água?

fonte da vila, turquel

o convite foi feito no facebook pela Comissão de Melhoramentos da Fonte da Vila e extensível a mais de 300 pessoas. pela primeira vez numa data em que eu estava em Turquel, decidi de imediato aderir. eu e outras 6 pessoas, das quais 3 são turquelenses adoptados, o que me agradou bastante ver pessoas que adoptaram Turquel com tanto sentido de participação e bons contributos para iniciativas a desenvolver no futuro.

confesso que quando vi o total de participantes a primeira coisa que me ocorreu foi um velho dizer popular "em Turquel, cada um ao seu granel". a fonte é de todos, faz parte do património da nossa terra e nem todos, nem perto disso, se envolvem nestas actividades que pretendem dar a conhecer e discutir ideias de melhoramento do que é nosso.

de acordo com José Diogo Ribeiro (in Memórias de Turquel), a fonte da vila é já mencionada na Carta da Povoação (datada de 1314) e no Foral da Vila (datado de 1514), o que faz dela um património com 700 anos, pelo menos.

bem, mas deixemos isso para outras discussões. foi quem quis e teve vontade não só de caminhar, como também de (re)visitar uma área da qual todos ouvimos falar e poucos conhecemos.

fui várias vezes à fonte da vila no passado, sempre pela calçada que sai do centro de Turquel. desta vez, fomos em direcção à ribeira mas zona sul de Turquel. diz a organização que foram quase 5km. não faço ideia se foram ou não, mas fiquei com uma ideia bem mais gira dos vales que ficam entre Turquel e os Louções.

dos caminhos que difíceis percorridos noutros tempos para ir lavar a roupa.

e por fim a chegada à fonte da vila, as pedras onde antes se lavava roupa e depois se assinou o nome e agora perdem solidez e esperam um novo destino. que parece, à primeira vista, ser o da ruína mas que algumas pessoas ainda tentam que seja o da recuperação (a fonte foi limpa recentemente por alguns turquelenses).

voltei a casa com uma certeza: o património faz parte de nós, deixá-lo cair e desaparecer é abdicar de quem fomos um dia e de quem somos hoje.

e por isso, eu vou voltar e contribuir com o que souber.

(todas as fotos podem ser vistas AQUI)