à volta do mundo

quando a chuva vem da terra

não há muito a dizer. as Victoria Falls são as maiores quedas de água do mundo e, ficámos a saber, a maioria delas até são na Zâmbia pelo que a melhor vista é do Zimbabwe. e foi do Zimbabwe que as vimos. (a desvantagem é que não pudemos ir à Devil's Pool dar um mergulho, porque fica do lado da Zâmbia)

primeiro do céu, de helicóptero.

depois em terra, a partir do parque e da floresta tropical que envolve as quedas de água. literalmente, chovia a partir da terra.

a paisagem, o cheiro, a humidade, a "chuva", o som. é tudo de uma "brutalidade" tal, que nos tira a respiração. e isto foi numa altura em que as chuvas ainda estavam a começar, agora conseguem imaginar no pico das chuvas, em Janeiro, a força desta água?

fonte da vila, turquel

o convite foi feito no facebook pela Comissão de Melhoramentos da Fonte da Vila e extensível a mais de 300 pessoas. pela primeira vez numa data em que eu estava em Turquel, decidi de imediato aderir. eu e outras 6 pessoas, das quais 3 são turquelenses adoptados, o que me agradou bastante ver pessoas que adoptaram Turquel com tanto sentido de participação e bons contributos para iniciativas a desenvolver no futuro.

confesso que quando vi o total de participantes a primeira coisa que me ocorreu foi um velho dizer popular "em Turquel, cada um ao seu granel". a fonte é de todos, faz parte do património da nossa terra e nem todos, nem perto disso, se envolvem nestas actividades que pretendem dar a conhecer e discutir ideias de melhoramento do que é nosso.

de acordo com José Diogo Ribeiro (in Memórias de Turquel), a fonte da vila é já mencionada na Carta da Povoação (datada de 1314) e no Foral da Vila (datado de 1514), o que faz dela um património com 700 anos, pelo menos.

bem, mas deixemos isso para outras discussões. foi quem quis e teve vontade não só de caminhar, como também de (re)visitar uma área da qual todos ouvimos falar e poucos conhecemos.

fui várias vezes à fonte da vila no passado, sempre pela calçada que sai do centro de Turquel. desta vez, fomos em direcção à ribeira mas zona sul de Turquel. diz a organização que foram quase 5km. não faço ideia se foram ou não, mas fiquei com uma ideia bem mais gira dos vales que ficam entre Turquel e os Louções.

dos caminhos que difíceis percorridos noutros tempos para ir lavar a roupa.

e por fim a chegada à fonte da vila, as pedras onde antes se lavava roupa e depois se assinou o nome e agora perdem solidez e esperam um novo destino. que parece, à primeira vista, ser o da ruína mas que algumas pessoas ainda tentam que seja o da recuperação (a fonte foi limpa recentemente por alguns turquelenses).

voltei a casa com uma certeza: o património faz parte de nós, deixá-lo cair e desaparecer é abdicar de quem fomos um dia e de quem somos hoje.

e por isso, eu vou voltar e contribuir com o que souber.

(todas as fotos podem ser vistas AQUI)

The Victoria Falls Hotel

chegámos ao Zimbabwe à hora de almoço, de autocarro da fronteira até ao nosso destino.

a nossa única exigência ao reservar esta viagem era ficar pelo menos uma noite no The Victoria Falls Hotel, um hotel construído na primeira década do século XX, no estilo colonialista de então, a 10m a pé das floresta tropical e das cascatas e com vista para ponte Livingstone.

além de muito perto das cascatas, o hotel mantém toda a estrutura original, no estilo colonialista de então, a decoração construída ao longo dos anos e as rotinas de outros tempos, o que transmite a quem por lá anda um ambiente único. não, não foi de saudade, foi uma oportunidade de imaginar histórias de outros tempos.

éramos recebidas na entrada por um senhor com um sorriso enorme e uma simpatia sem fim, que fazia questão de um até já sempre que saímos para uma visita, trajado com um fato que conta histórias de uma vida.

durante o check-in fomos de imediato informadas de alguns dos serviços ao nosso dispor, alguns deles de outros tempos, como o chá às 15h no Stanley’s Terrace, onde poderíamos também fazer refeições leves, ou a exigência da The Livingstone Room de traje de "cerimónia" ao jantar.

decidimos logo que não iríamos visitar a The Livingstone Room nem participar no chá das 15h. restava-nos fazer refeições leves no Stanley's Terrace ou jantar no Jungle Junction, onde também teríamos o pequeno-almoço com vista para o vapor que saía das quedas de água e com a piscina, também ela de outros tempos, ali ao lado.

em qualquer recanto do hotel existe uma atmosfera de outras vidas, dos famosos e de todos os que por ali passaram, qualquer coisa que nos faz imaginar e sonhar.

seja o edifício em si...

 ou a decoração das salas e dos corredores, as fotografias e as pinturas, a mobília...

ou até os detalhes, do alinhamento das portas, aos pendentes das janelas, até aos chapéus de chuva disponíveis no Stanley's Terrace, para os hóspedes, no caso de começar a chover (ou apenas quando as quedas estão mais cheias e molham só porque sim).

não foi o melhor hotel onde ficámos, mas foi decididamente o que mais me inspirou e mais desafiou a minha imaginação.

uma nota: foi aqui, logo quando chegámos e já quase no final da viagem, que encontrámos outros portugueses (já tínhamos comentado que não seria viagem sem esse encontro, no caso imediato porque eram amigos de uma de nós). 

e duas histórias para recordar.

a primeira foi quando decidi ir fumar ao final da tarde, por volta das 19h, e saio do quarto de calças de algodão largas e confortáveis e t-shirt (por um acaso, troquei as havaianas por umas sabrinas). chego à Stanley's Rooms (aquela ali em cima nas fotos que está a ser limpa), viro à esquerda e deparo-me com alguns senhores de smoking. decidi então virar à direita. mais senhores de smoking. senti-me verdadeiramente deslocada. voltei para trás e procurei outro lugar para fumar, antes de voltar ao quarto e rir à gargalhada com a A.M. e com a S.C. da situação.

a segunda, no Stanley's Terrace, quando o sr que nos atendia perguntou se éramos portuguesas. e perante o nosso sim explicou num português muito razoável que andava a aprender português, mas que era difícil e não tinha muita gente com quem praticar. sim, no zimbabwe há quem queira aprender português!

Chobe - #1

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os babuínos marcaram o dia, parecem pessoas e as brincadeiras dos mais novos são brincadeiras de crianças. as águias, que voam a abraçar o mundo. e os hipopótamos, que até nos deixaram contar-lhes os dentes. tudo isto foi o que vimos enquanto estávamos confortavelmente sentadas num barco a beber gin e comer petiscos.

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Savuti #5 - So long

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até que ele diz "desculpem, estava a fingir que não a via. estão a ver para onde ela está a olhar? está a controlar um leopardo, querem ir vê-lo ou ficamos aqui?". e nesse momento todos percebemos que confiar no guia é a melhor decisão neste tipo de viagem, nós literalmente não percebemos nada do ambiente que nos rodeia!

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