notas

Como assim, um fim?

Ontem, esta miúda, a minha miúda, disse que tudo tinha um fim.

sofiafim

Permitam-me discordar completa e absolutamente desta frase.

O hóquei feminino tal como o conhecemos (as equipas mistas depois dos 13 anos de idade) começou com ela. O que andámos, o que mudámos. Caramba, até são permitidas equipas mistas em seniores!
E isso não se apaga com o descalçar dos patins. Mais do que um fim, esta miúda foi, e será sempre, o princípio da mudança e da construção da realidade de hoje.

Porque sei o que é ser maria-rapaz numa aldeia onde todos jogam hóquei, menos a maria-rapaz. Porque a vi com a força e a vontade necessárias em contrariar isso, em não ceder, em lutar pela paixão pelo jogo, em viver os sonhos, em jogar com o seu destino.

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Porque a acompanhei na ansiedade que a cada dois anos espreitava, na espera pelas decisões dos outros que lhe decidiam o futuro. Porque a vi vestir outras camisolas sem nunca tirar a paixão pelo preto e branco do coração.

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E se ela viveu bem esse sonho! E jogou com a vida, e em rinque, como poucos!

Qual fim, qual quê! Como é que se decide o fim de uma paixão que faz parte de nós? :)

Quanta admiração. Quanto orgulho.
Quando for grande, quero ser como tu, Sofia! 

o facebook chama-lhe inferno

ao local de onde escrevo os meus posts.

só consigo ver dois motivos para tal identificação:

  • a quantidade de bicharada que por aqui mora - escorpiões (visitas regulares nos alpendres), baratas de 6cm, cobras (ainda não as vi, mas há quem jure ter visto várias), e outros mais que não faço ideia do que são mas quase que são bonitos;
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  • e as cores que a terra assume e o verde que se mistura com os dourados, quando o céu se transforma depois de molhar a terra e o sol perde a vergonha e passa por cá para dizer até amanhã.
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eu chamo-lhe oportunidade. de repetir motivos de outra perspectiva. de procurar a cada dia diferentes motivos. de usar diferentes recursos para o mesmo. 

parabéns avó!

estar deste lado do mundo tem destas coisas, perdemos as datas importantes das pessoas que gostamos. o nosso dia fica um bocadinho menos feliz e o delas também, porque nos fazem falta e fazemos falta.

a minha avó M. faz 79 anos. e este ano eu não posso tocar-lhe, não posso dizer-lhe que gosto dela, não posso dizer-lhe "parabéns" a olhar para ela e a sorrir - e vê-la responder-me a sorrir, com a certeza de que o sorriso dela fará o meu dia melhor (não, aqui nem uma chamada de vídeo consigo).

eu já sabia que este ano era assim. e, antes de partir, dei-lhe a mão, guardei os sentires, a voz e o toque dela comigo e "roubei-lhe" uma foto para a poder tocar hoje.

parabéns avó.

fonte da vila, turquel

o convite foi feito no facebook pela Comissão de Melhoramentos da Fonte da Vila e extensível a mais de 300 pessoas. pela primeira vez numa data em que eu estava em Turquel, decidi de imediato aderir. eu e outras 6 pessoas, das quais 3 são turquelenses adoptados, o que me agradou bastante ver pessoas que adoptaram Turquel com tanto sentido de participação e bons contributos para iniciativas a desenvolver no futuro.

confesso que quando vi o total de participantes a primeira coisa que me ocorreu foi um velho dizer popular "em Turquel, cada um ao seu granel". a fonte é de todos, faz parte do património da nossa terra e nem todos, nem perto disso, se envolvem nestas actividades que pretendem dar a conhecer e discutir ideias de melhoramento do que é nosso.

de acordo com José Diogo Ribeiro (in Memórias de Turquel), a fonte da vila é já mencionada na Carta da Povoação (datada de 1314) e no Foral da Vila (datado de 1514), o que faz dela um património com 700 anos, pelo menos.

bem, mas deixemos isso para outras discussões. foi quem quis e teve vontade não só de caminhar, como também de (re)visitar uma área da qual todos ouvimos falar e poucos conhecemos.

fui várias vezes à fonte da vila no passado, sempre pela calçada que sai do centro de Turquel. desta vez, fomos em direcção à ribeira mas zona sul de Turquel. diz a organização que foram quase 5km. não faço ideia se foram ou não, mas fiquei com uma ideia bem mais gira dos vales que ficam entre Turquel e os Louções.

dos caminhos que difíceis percorridos noutros tempos para ir lavar a roupa.

e por fim a chegada à fonte da vila, as pedras onde antes se lavava roupa e depois se assinou o nome e agora perdem solidez e esperam um novo destino. que parece, à primeira vista, ser o da ruína mas que algumas pessoas ainda tentam que seja o da recuperação (a fonte foi limpa recentemente por alguns turquelenses).

voltei a casa com uma certeza: o património faz parte de nós, deixá-lo cair e desaparecer é abdicar de quem fomos um dia e de quem somos hoje.

e por isso, eu vou voltar e contribuir com o que souber.

(todas as fotos podem ser vistas AQUI)

the look in your eyes

the look in your eyes

entre expressões, medos, alegrias, foram os olhares que mais me marcaram neste dia. os olhares que ficaram registados nas fotografias, mas sobretudo em que lá esteve e cruzou os olhos dos miúdos. olhares tristes, vazios, perdidos. mas também aqueles cheios de vida, de alegria, de esperança numa vida que agora começa.

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